Temos muita coisa pra falar desta mitzva especial a ser cumprida entre pêssach e shavuot, que também nos ensina profundas lições espirituais. Abaixo estão dois textos de excelentes sites judaicos em português, que sintetizam muito bem o que é sefirat haômer, a contagem do 'ômer'.
Bom proveito!
A Torá nos manda contar o período do Omer, que se inicia no segundo dia de Pessach(...). Na antiga Israel era o dia que os judeus levavam ao Templo de Jerusalém uma oferenda dos novos grãos. Após a data, iniciava-se, então, a Contagem do Omer, em hebraico de Sefirat HaOmer, que durava 49 dias. No 50º, celebrava-se Shavuot.
Com a destruição do Templo, não foi mais possível fazer a oferenda, mas a tradição de se contar os dias entre Pessach e Shavuot, continuou sendo observada. Pois, mais do que recordar as oferendas, serve como uma re-encenação espiritual das sete semanas em que nossos antepassados, após o Êxodo do Egito, se prepararam para receber a Torá no Monte Sinai.
A Contagem representa, portanto, os 49 degraus de ascensão espiritual realizados, no deserto, pelos hebreus. No Egito, eles haviam perdido não apenas a sua liberdade como também a sua espiritualidade. Era uma tarefa enorme - fazer com que uma população escravizada, que vivera sob a influência do paganismo egípcio, alcançasse o alto grau de espiritualidade necessário para receber a Torá. D'us mostrou a Moisés como realizá-la. A cada dia, cada um dos Filhos de Israel deveria mudar uma faceta de seu caráter, refinar um traço de sua personalidade. Assim, a cada dia cresceria um pouco, até chegar à elevação necessária para receber a Torá.
Durante os 49 dias de Sefirat HaOmer temos a oportunidade de subir, passo a passo, a escada do aprimoramento pessoal tentando alcançar um crescimento interior e uma transformação. De acordo com a Cabalá, são sete as emoções básicas de todos seres humanos, e estas correspondem a sete das Dez Sefirot. Chamadas de Midot, estas são: Chessed, bondade; Guevurá, severidade ou força; Tiferet, harmonia; Netzach, perseverança; Hod, empatia; Yessod, união; Malchut, realização do potencial no homem. Os 49 dias do Omer resultam da multiplicação de sete vezes as Sete Sefirot. Cada dia tem, portanto, sua própria energia espiritual e representa o aperfeiçoamento de uma das sete emoções, subdivididas em sete, pois cada uma inclui dentro de si aspectos das demais. Canalizamos a energia do dia quando interiorizamos seu significado.
Por isso, mencionamos durante a Contagem a emoção especifica e a sua subdivisão, por exemplo:
O 1º dia é Chessed Shebechessed - A bondade que existe na bondade;
O 2º dia é Guevurá Shebechessed - A severidade ou o rigor que existe na bondade. E assim por diante.
A Contagem
A Contagem do Omer deve ser sempre feita de pé, após o aparecer das estrelas, quando segundo a tradição judaica um novo dia começa. Em seguida, diz-se a berachá:
Baruch Ata A-do-nai, E-lo-henu Melech haolam, asher kideshanu bemitsvotav, vetsivanu al sefirat Ha-Omer.
Bendito és Tu, Eterno, nosso D'us, Rei do Universo que nos santificaste com Teus mandamentos e nos ordenaste contar o Omer.
Em seguida, diz-se o número de dias da Contagem, por exemplo:
Hoje é o dia 1 da contagem do Omer;
Hoje é o dia 2 da contagem;...
Hoje é o dia 7 da contagem do Omer, ou seja uma semana...
A Contagem do Omer se encerra no dia 49, quando recitamos: Hoje é o dia 49 da contagem, ou seja sete semanas.
Se alguém esquecer em alguma noite de contar o Omer, poderá fazê-lo no dia seguinte, porém sem dizer a berachá. Se a pessoa esquecer de contar o Omer também no dia seguinte, não mais poderá recitar a berachá durante os dias remanescentes. Porém, mesmo no caso de não mais poder recitar a berachá, a pessoa deve continuar contando os dias do Omer.
A Contagem do Omer pode ser realizada em qualquer idioma, porém o costume é fazê-lo em hebraico. A lista dos dias e informações mais detalhadas podem ser encontradas em qualquer Sidur.
Extraído de Morashá.com, judaísmo virtual!
Seu Tempo e Sua Vida
A natureza da obrigação de Sefirat Haômer é contar. O Talmud diz: "U'sfartem lachem," - "Vocês deverão contar por si mesmos", o que implica que cada um deve fazer sua própria contagem, individualmente. Isto significa dizer que há uma obrigação para cada pessoa de contar, de exprimir sua percepção de que outro dia de sua vida chegou, trazendo uma nova oportunidade para o crescimento espiritual. Por isso a pessoa não pode cumprir sua obrigação de contar através de ouvir a contagem feita por uma outra.
Isto é de certa forma análogo a um sorvete: se estou pronto a saboreá-lo, outra pessoa não pode fazer a bênção no meu lugar. Comer um alimento requer permissão do seu provedor, o Criador do Universo, (e não ao fabricante do sorvete). Isto é feito por uma bênção precedente: "que tudo é criado pela Sua palavra." E também, agradecer através de uma bênção posterior.
Similarmente, no contexto de Sefirat Haômer, é "o meu tempo", designado a mim pelo meu Criador, de tornar-me uma pessoa melhor - contando - e por isso uma outra pessoa não pode contar por mim.
Por que luto?
Durante a contagem do Ômer estamos envoltos numa espécie de luto parcial, com certas restrições de comportamento, que são aliviadas em Lag Baômer, o trigésimo terceiro dia do Ômer.
No período entre Pêssach e Shavuot uma tragédia recaiu sobre os alunos de Rabi Akiva ; quase todos faleceram. A causa da morte é atribuída a falta de respeito entre eles.
Considerando-se o fato de que o ilustre mestre tinha proclamado que a essência da Torá é "Ama o teu próximo como a ti mesmo", como poderiam então um grande número de estudantes terem ignorado o ensinamento básico de seu mestre?
O comportamento ético entre o homem e outro homem e entre o Homem e D'us pode ser chamado de principal objetivo da Torá. O Rebe explica que amor entre os estudantes de Rabi Akiva nunca faltou. Ao contrário, justamente por amor eles não aguentaram quando um colega interpretava o ensinamento do mestre de maneira diferente da que achavam certa. Começaram a ridicularizar uns aos outros com a intenção de fazer com que revissem os ensinamentos e os aplicassem conforme seu mestre, como deveriam ser, do seu ponto de vista.
O amor nunca faltou entre os alunos; o que faltou foi amor com respeito, e esta é a grande lição que podemos entender deste capítulo tão triste de nossa História.
Dois heróis
Dois gigantes da História Judaica estão envolvidos na observância dos dias de Sefirat Haômer: Rabi Akiva e seu aluno, Rabi Shimon bar Yochai.
Rabi Akiva está envolvido com o aspecto triste destes dias, porque, conforme a tradição, 24 mil estudantes seus pereceram durante este período.
Rabi Akiva demonstrou sua enorme fé superando a grande tristeza e dor da perda ao reconstruir sua yeshivá. Assim fazendo, ele reafirmou sua capacidade singular de vislumbrar a luz na mais negra escuridão.
Outro grande sábio desta época foi Rabi Shimon bar Yochai, um dos cinco alunos de Rabi Akiva que sobreviveram à tragédia. Seu nome está associado com o aspecto mais feliz de Sefirat Haômer; o dia de Lag Baômer.
Seu maior papel vivido na História Judaica é como autor do sagrado livro do Zôhar. Esta obra é a base da Torá oculta, conhecida como Cabalá, um dos alicerces da Chassidut.
Rabi Shimon foi sepultado em Meron, Israel. Todos os anos, em Lag Baômer, data de seu falecimento, dezenas de milhares de judeus reúnem-se no local para comemorar a data. Acendem tochas, dançam e cantam com grande alegria, conforme o pedido feito pelo próprio Rabi Shimon.
Extraído de Beit Chabad, a sua referência judaica na internet!